Descrição

A Serra da Cabreira conserva um importante núcleo arqueológico que atesta a presença e o papel do homem. É de destacar os Fojos de Lobo, armadilhas de caça através das quais os lobos eram capturados, e ainda as cabanas e currais que acolhiam os pastores e o gado.

As cabanas são construções modestas, quase sempre de planta circular, com paredes de pedra, e cobertura de lajes e de torrões de terra.

“O conjunto monumental designado por fojos de lobo da Cabreira situa-se na linha de cumeada formada por Cortegacinhas, Alto do Seixo, Pau da Bela e Trovão, elevações que prolongam o alto da Cabreira para nascente. Os fojos implantam-se no início da vertente Sul desta linha de cumeada, abrangendo os talvegues que drenam os Ribeiro do Fojo, Ribeiro das Figueiras Bravas e Ribeiro do Fojo Novo ou da Boca do Ribeiro.O fojo localizado a Este é conhecido simplesmente por Fojo do Ribeiro do Fojo ou Fojo de Pau da Bela; o fojo do meio é conhecido por Fojo do Ribeiro das Figueiras Bravas, o fojo do extremo Oeste é nomeado Fojo Novo. Os terrenos onde se implantam os monumentos são baldios das freguesias de Ruivães, Vilarchão e Anjos, administrados pelos respectivos conselhos directivos.(…) Os monumentos estão entre 1110 e os 1200 metros de altitude. As coordenadas geográficas do monumento central, fojo do Ribeiro das Figueiras Bravas, são as seguintes: latitude 41º 37’ 45” Norte e longitude 1º 05’ 45” Este. (…)

Para uma correcta apreensão do sistema de funcionamento dos fojos, que implicava batida a partir da base da vertente Noroeste do maciço da Cabreira, desde Ruivães e Campos, é indispensável considerar, como elemento fisiográfico constituinte do sistema, toda a linha de cumeada da Serra da Cabreira, desde o Trovão à Chá do Prado. Para os lobos afugentados pela barulheira dos batedores e acossados pelos cães, a cumeada da serra era uma espécie de linha de não retorno, pois a sua passagem implicava a descida em direcção aos fojos. O acesso ao local faz-se pelo estradão florestal de terra batida que atravessa a Serra da Cabreira ligando Anjos a Zebral. Entre o Cabeço do Escápio e Raposeira deve virar-se para NO, em direcção à Costa do Fojo, por um ramal que vai atravessar a cumeada onde se implantam os fojos, entroncando depois no estradão que liga Ruivães a Pinheiro. (…)

O conjunto monumental designado por fojos de lobo da Cabreira é uma obra de arquitectura popular serrana notável, tanto do ponto de vista técnico-científico, plasmado na grandiosidade física das construções, em que sobressaem os quase 2 quilómetros de paredões, numa verdadeira monumentalização da paisagem, como do ponto de vista histórico-social, pois são a expressão construída de um enorme esforço colectivo, protagonizado pelas populações serranas que os utilizavam.

São também um significativo testemunho da actividade cinegética pós-medieval, relacionável com a protecção do gado e portanto com o fomento do pastoreio, revestindo grande importância para o conhecimento das modalidades de exploração dos espaços serranos. (…)”

In, Mínia número 6 . IIIª Série . 1998, Os Fojos de Lobo da Cabreira, Luís Fontes e António Campos