A freguesia de Cantelães ocupa uma área geográfica com 1118 hectares, sendo limitada a norte pela linha de cumeada do Monte de Santa Cecília que define o limite sul das freguesias de Louredo, Salamonde; ligeiramente a nordeste fica Ruivães, numa linha que une a colina da Cabeça da Vaca até próximo da zona da Pedra Escrita, abaixo da Serradela; a nascente aparece a freguesia de Pinheiro; a sul fica Vieira e a poente Eira Vedra.

Esta freguesia apresenta um vale fértil ao longo da ribeira de Cantelães e desenvolve-se pela encosta fora ao longo da serra de Cantelães ou Monte de Santa Cecília. Este monte não é mais do que um prolongamento a norte da Serra da Cabreira, definindo a fronteira do Vale do Cávado. Podemos observar da sua linha de cumeada paisagens soberbas sobre todo o vale do Cávado, Gerês e Montalegre; sobre o vale do Ave, a Serra do Merouço e sobre toda a encosta poente da Cabreira.

A riqueza das pastagens naturais proporciona o desenvolvimento da pecuária de gado bovino e, sobretudo, do gado cavalar. Os garranos têm aqui o seu “santuário” natural, podendo ser observados mais de três centenas destes equinos em grupos de número variável, pastando livremente durante todo o ano em estado semi selvagem.

Aqui, a natureza é generosa fornecendo água em qualidade e abundância, como refere o Padre José Carlos Alves Vieira na sua notícia histórica e descritiva de Vieira do Minho ao referir-se a Cantelães, “… por toda a parte canta e salta a água fresca e límpida, pelas várzeas de vegetação luxuriante, pelos pauis de macio feno, pelos matagais atufados de codesso e giesta”.

A principal linha de água, conhecida pela Ribeira de Cantelães, recebe o ribeiro das Campainhas e o ribeiro do Turio com origem na freguesia de Pinheiro. Os ribeiros do Cortiço e de Meães nascem na serra de Cantelães e ampliam o caudal da ribeira com o mesmo nome, onde se desenvolvem inúmeras veigas, constituindo uma várzea de solos propícios para a actividade agrícola.

Origem Histórica

Ao que tudo indica, o território da actual freguesia de Cantelães foi o local da fundação da “civitas” castreja que originou a circunscrição medieval (pré-nacional) “terra de Veeira”, também designada noutros tempos por Velaria. Referem-se-lhe entre outros documentos, as Inquirições de 1220, 1258, 1320, 1371, 1400 e 1528, registando “St.º Estevam de Vieeyra que chamam de Cantelaes”.

A proximidade do Castro de Vila Seca e a sua ligação a Cantelães induz na crença que a freguesia teve o seu berço no lugar de Berredo, prolongando-se daqui até aos limites que lhe são actualmente conhecidos.

No Ribeiro de Meães, praticava-se, ainda nos anos vinte, uma tradição entretanto extinta, que consistia num ritual de lavar as camisas dos recém nascidos para os livrar de tossir depois de mortos. Parecendo censurável este acto, entendemos como justificação o elevado nível da mortalidade infantil que então existia. A resignação popular para prevenir a agonia nos casos que viessem a concretizar-se, levava à prática destes ritos.

Anualmente, no primeiro domingo de Junho, realiza-se na Sr.ª da Fé, uma festa de cariz exclusivamente religioso, com uma peregrinação de grandes tradições, onde, noutros tempos, os devotos faziam promessas de dar uma, duas ou mais voltas em redor da capela, deitados num caixão forrado a tecido branco, com carpideiras a completar a encenação do cortejo fúnebre. Havia na capela diversos caixões devidamente preparados para o cumprimento das numerosas promessas. Actualmente, esta peregrinação atrai os devotos em massa de todas as freguesias do concelho, sendo tradicional um repasto no final com um merendeiro digerido à sombra existentes na zona envolvente do santuário.

Imóveis de interesse patrimonial

  • A Igreja paroquial, cujo patrono é Santo Estêvão, tem vestígios da primitiva Igreja que era de estilo românico, prevalecendo agora a traça arquitectónica do séc. XIX;
  • A Ponte de S. Pedro sobre o rio de Cantelães com cerca de 9m de comprimento e 3m de largura, e a Capela de S. Pedro, no lugar de Berredo.
  • A Capela de Nossa Senhora da Fé ou Santa Cecília, um bom exemplar arquitectónico dos finais do século XVIII
  • Castro de Vila Seca, com vestígios da cultura castreja
  • Capela de S. Roque é uma pequena capela quinhentista dedicada a Santo Amaro e São Roque
  • Capela da Boa Morte
  • Cruzeiro é um bom exemplar em pedra, foi comprado pelo Padre Augusto Mota em Santa Marta-Rossas, transferindo-o para este local a 27 de Junho de 1919
  • Cruzeiro Novo, construído nos anos 70 no monte da Sr.ª da Fé em cimento armado e ferro, com 30 metros de altura.
  • Calvário, situado nas imediações da igreja paroquial.
  • Ponte do Pêso: ponte sobre a ribeira de Cantelães, em granito e de 1 só arco.

Casas de interesse patrimonial

  • Casa do Souto, casa setecentista, apresenta uma bonita varanda em pedra.

  • Casa do Real, construção do séc. XVIII.

  • Casa Antiga do Assento, na padieira está gravada a inscrição “ANNO 1741”.

  • Casa do Assento ou do Capitão.

  • Casa do Berredo ou da Vinha, em Berredo, construção com uma interessante traça arquitectónica do primeiro quartel do séc. XIX.

  • Casa do Miranda, em Eiró, data de 1861. Junto à casa existe uma fonte esculturada e em granito.

  • Casa do Pesô de Cima, na padieira está gravada a inscrição “ANNO 1736”.

  • Casa do Pêso.

  • Casa dos Viscondes de Vieira dispõe de alguns elementos arquitectónicos interessantes, tais como, uma porta em arco, umas alminhas integradas na fachada e uma data gravada na padieira onde apenas se lê 17??.

  • Casa da Torre com uma inscrição gravada onde se consegue ler 1725.

  • Quinta da Mó.

  • Casa Nova.

  • Casa da Retorta.

  • Casa dos Quartas

  • Casa das Cidreiras.

  • Casa do Henrique

  • Casa Grande de Nogueiras que data provavelmente de 1679.

Outros locais de interesse turístico

  • O Turio, na Serra da Cabreira, proporciona um contacto directo com o que de mais belo a natureza tem para oferecer. È possível observar espécies da fauna (corços, javalis, esquilos, raposas, etc.) e da flora, e ainda linhas de água que enriquecem a paisagem. Aqui, existe ainda dois parques de merendas e diversas estruturas de reconhecido interesse patrimonial.
  • Monte da Sr.ª da Fé em plena serra da freguesia de Cantelães situa-se o Santuário de Nossa Senhora da Fé que remonta aos finais do séc. XVIII. O recinto do santuário integra dois coretos, uma fonte, e ainda uma grande Cruz que se avista desde a vila de Vieira do Minho.

Anualmente, no primeiro domingo de Junho, realiza-se na Sr.ª da Fé uma festa de cariz exclusivamente religioso, com uma peregrinação de grandes tradições, onde, noutros tempos, os devotos faziam promessas de dar duas voltas em redor da capela, deitados num caixão forrado a tecido branco, com carpideiras a completar a encenação do cortejo fúnebre. Havia na capela diversos caixões devidamente preparados para o cumprimento das numerosas promessas. Actualmente, esta peregrinação atrai os devotos em massa de todas as freguesias do concelho, sendo tradicional um repasto no final com um merendeiro digerido à sombra existentes na zona  envolvente do santuário.

Esta freguesia é composta pelos seguintes lugares:

Assento, Berredo, Caminho Novo, Carril,  Fares, Fontelas,  Meães, Mó, Moinho, Nogueiras, Paixão, Portela, Quintães, Real,  Sanfins, Silvares e Torre.

Festas e Romarias

Sr.ª  da Fé – 1º Domingo de Junho
Festa do Senhor – Variável em Agosto