A freguesia dos Anjos, situa-se a 10 Km SE da sede do concelho, ocupando uma área geográfica de 1644 hectares. O seu território progride no sentido NE-SW, descendo a encosta sul da serra da Cabreira. Tem início no seu ponto mais alto (o Talefe) a 1241mts de altitude, sendo a margem esquerda da ribeira de Vilarchão até Santa Marinha (Rossas à cota 400) o seu limite a norte. Aqui, confronta ainda do lado poente com uma pequena parcela do lugar de Figueiró, freguesia do Mosteiro. A restante área a sul é abraçada pela freguesia de Rossas até ao extremo nascente, onde confronta com a freguesia de Ruivães.

Sendo uma aldeia de montanha, aqui nascem inúmeros regatos que confluem para as linhas de água mais caudalosas como a ribeira de Vilarchão e o Rio Ave. As áreas urbanas e agrícolas desenvolvem-se próximo da cota 600, pelo que as culturas predominantes se reduzem ao milho e hortícolas para consumo caseiro.

Origem Histórica

Vila Boa de Guilhofrei era a designação de um julgado (e talvez pequena “terra”) medieval que compreendia a paróquia de S.Tiago de Guilhofrei e ao qual correspondia do Século XV para o XVIII o concelho de Vila Boa da Roda, sucessor desse julgado. A designação de “Roda” está associada à existência da roda de enjeitados, designação que manteve até ser extinto em 1836.

As origens do julgado medieval são desconhecidas, mas não deve ser-lhes estranho um dos fortes castros vizinhos, algum deles porventura uma “civitas” contemporânea do início da romanização. Registamos na toponímia os lugars de Castro e o de Assento, que indiciam a existência de um locais de povoações antigas ou vestígios das mesmas. Depois do século XIII, o concelho que pertencia ao julgado, passou a designar-se apenas por Vila Boa e assim é chamado em 20-03-1372 na carta de doação que dele fez D.Fernando a D.Afonso Telo de Meneses, 5º Conde de Barcelos. 

A antiga freguesia, abundantemente documentada desde os fins do séc. XII, trazia anexas a si, em 1551, a de St.ª Maria dos Ladrões e, em 1528, a de S. Paio de Brunhaes. Era uma reitoria da apresentação do Ordinário e comenda da Ordem de Cristo. Foi cabeça do antigo e extinto concelho de Vila Boa da Roda, com foral de D. Manuel I recebido a 8-8-1514. Inseria-se então na comarca de Guimarães. Em 1852 aparece na comarca de Lanhoso e em 1878, na de Vieira e no julgado de Rossas.

Imóveis de interesse patrimonial:

  • Igreja Paroquial situa-se no lugar de Assento e é dedicada a S. Tiago e terá sido construída no início do século XVIII. O altar da capela-mor de estilo barroco, onde está o Santíssimo Sacramento, é a parte mais rica do templo.
  • Capela de S. André, em Requeixada.
  • Capela de S. Silvestre, em S. Silvestre, apresenta sóbria arquitectura.
  • Capela de Nossa Senhora de Lurdes, em Vila Boa da Roda.
  • Fojo do Lobo no monte Monte do Merouço; carvalho do Ermal.

Casas de interesse patrimonial

  • Casa do Visconde de Guilhofrei data da primeira metade do séc. XIX que denuncia uma arquitectura de origem brasileira.

  • Casa do Foral, onde se administrava a justiça do antigo concelho de Guilhofrei.

  • Casa da Cadeia, edifício onde esteve instalada a cadeia do couto de Guilhofrei, sendo hoje uma habitação.

  • Casa do Rego

  • Casa do Carneiros em S. Silvestre foi edificada em 1746.

  • Casa da Muda (Louredo, onde se fazia a troca dos cavalos).

  • Casa do Ribeiro data de 1838 e incorpora um nicho de umas alminhas.

  • Casa do Fundo do Lagar construída em 1790.

  • Casa do Leites

Outros locais de interesse turístico

  • O Monte do Marouço ou Maroiço, tem ainda vestígios de um Fojo de Lobo próximo do alto de Morgaír.
  • A zona da Lage Branca, com uma altitude muito próxima da cota 900 constitui um penhasco denso com afloramentos rochosos de grande beleza, a partir dos quais se podem desfrutar vistas soberbas a poente até ao mar (“Maroiço)”; a norte sobre o vale, sobre a  Albufeira do Ermal e, lá longe, no limite do horizonte, a Serra do Gerês e a nascente e noroeste, sobre Rossas e a encosta sul da Serra da Cabreira.
  • A Barragem do Ermal, situada na freguesia de Guilhofrei, a cerca de 5km da vila de Vieira do Minho, é alimentada pelo Ave e foi construída em 1938. Ocupa uma área de 163 hectares, tem uma capacidade de 22 milhões de metros cúbicos de água e produz anualmente uma média de 95 GWH. A área envolvente dispõe de excelentes condições para a prática de desportos aquáticos, tais como, ski aquático, wakeboard, mono-ski e kneeboard através do Teleski. Aqui, o visitante pode ainda usufruir de uma zona balnear, assim como de um snack-bar, um restaurante, e uma estrutura básica de apoio para os banhistas e turistas. Esta albufeira de águas aprazíveis, límpidas e cristalinas faz, não só, a delícia dos mais aventureiros, mas também dos mais sossegados.
  • O Museu Etnográfico de Guilhofrei merece uma referência, recomendado-se uma visita.

Esta freguesia é composta pelos seguintes lugares:

Assento, Barreirô, Calvelos, Crasto, Coração, Ermal, Fril, Foral, Guilhofrei, , Lomba, Louredo, Pedreira, Penelas, Portelas, S.Silvestre e Vila Boa (com os aglomerados de Avinhó, Balalhe, Lageeira Plame, Quintã e Requeixada).

Festas e Romarias

S. Silvestre – 2º Domingo de Maio
Sr.ª  de Fátima – 2º Domingo de Agosto
S. Tiago – Domingo mais próximo de 25 de Julho
Sr.ª  de Lurdes – último Domingo de Dezembro