A freguesia do Mosteiro confronta-se com o sul da sede do concelho da qual dista cerca de 3 quilómetros. É limitada a nascente pela freguesia de Pinheiro (algures entre Salgueiros e Cortegaça) e pela freguesia de Vilarchão próximo de Magos, estendendo-se este limite até à ribeira de Vilarchão; esta ribeira define o limite a sul. Aqui depara-se na margem esquerda, primeiro uma pequena parcela da freguesia dos Anjos e depois Rossas, na zona que vai de Santa Marinha à Ponte de Figueiró; a área de inundação da albufeira do Ermal (163 hectares) está cerca de 50% inserida nesta freguesia e é aqui que se define o seu limite sul (onde aparece também Guilhofrei). Continuando rio abaixo para além do coroamento da barragem, temos Guilhofrei do lado esquerdo e Mosteiro do lado direito até aparecer a freguesia da Esperança (Póvoa de Lanhoso) a definir o limite poente e depois Anissó a fechar o mesmo limite; implanta-se então Vieira a norte em limites definidos por águas vertentes desde S. Roque, passando por Gandra até próximo de Vila Seca onde encontra de novo Pinheiro. O Território desta freguesia ocupa uma área de 1062 hectares e está fortemente influenciado pelos recursos hídricos das diversas ribeiras que convergem para a albufeira do Ermal.

Origem Histórica

O nome de Mosteiro substituiu o de S. João de Vieira tal foi a importância do cenóbio beneditino aqui existente. Há referências históricas deste mosteiro de freiras de S. Bento anteriores à nacionalidade, já que atribuem a sua fundação a Avulfo, Conde de Vieira e sua mulher D.ª Teresa, pais de Santa Senhorinha. As mesmas referências registam que aquela santa nasceu aqui por volta do ano de 924, a quem foi posto inicialmente o nome de Domitília ou Genoveva. Tendo ficado órfã de mãe desde tenra idade, o seu pai começou a tratá-la carinhosamente por “minha Senhorinha” e resolveu entregar a sua educação aos cuidados de uma ilustre e piedosa senhora chamada D.ª Godinha, que era abadessa deste mesmo mosteiro. Senhorinha acabou por aqui professar fé com 16 anos de idade, decorria o ano de 940. Segundo parece, ao ser ofendida na sua honra, Santa Senhorinha abandonou o Mosteiro e refugiou-se no mosteiro de S.Jorge de Basto onde veio a falecer em 22-04-982. Daí a razão de ser conhecida por Santa Senhorinha de Basto. São vulgares outras considerações populares alusivas a este facto embora não devidamente fundamentadas, como é o caso da badalada praga que lhe é atribuída em face da difamação de que foi alvo: “de Vieira, nem mulheres, nem vinho, nem madeira…”.

É notória a importância desde convento no contexto da freguesia (até do concelho) e da sua toponímia, passando por sucessivas mutações no decorrer dos tempos. Foi comenda dos Templários, que ali tiveram o mosteiro até 1311, e da Ordem de Cristo (desde 1331), abadia da apresentação da Casa de Calhariz (Palmela) e cabeça do concelho de Vieira, cuja sede era na povoação de Brancelhe (chamada Barunzeli em 1220). Apenas em 29-05-1933 foi criada a freguesia de Vieira pelo Decreto Nº22593, desanexando do Mosteiro as povoações de Ponte, Cuqueira, S.Roque, Portas, Azevedo, Sanguinhedo, Costa, Entre Devesas, Rio, Sapinhos e Vila Seca. Depreende-se daqui que o Mosteiro foi a freguesia mãe de Vieira.

Património

  • Igreja Paroquial do Mosteiro data do século XVII e é dedicada a S. João. Este edifício de arquitectura religiosa insere-se nos estilos maneiristas, barroco e rococó. De destacar é o painel historiado, com 15 quadros pintados sobre madeira alusivo à vida de Cristo. Contudo, é na capela-mor que se encontra a maior riqueza artística dessa Igreja, isto é, o sacrário que data do século XVIII.
  • Capela de S. Pedro de Riolongo
  • Capela da Casa da Pena dedicada a Nª Srª da Saúde.
  • Capela de S. Bento de Magos
  • Capela e Cruzeiro do Salvador
  • Capela de S. Roque, com acesso pedonal pelo lugar de Gandra.

Casas de interesse patrimonial

  • Casa da Boavista

  • Casa do Barcelos

  • Casa de Outeiro

  •  Casa do Ribeiro (no Ribeiro, tem um moinho)

  • Casa da Madrôa (na Madrôa)

  • Casa do Salvador (em Salvador)

  • Casa dos Fernandes (Magos)

  • Casa do Padre Casimiro é um exemplar da nossa arquitectura rural, sóbria mas de boa construção, data de 1787. Aqui viveu o Padre Casimiro, personagem central das revoltas populares do Minho. Actualmente, aqui funciona o restaurante “Pancada”, assim como uma unidade de alojamento em Turismo Rural.

  • Casa de Cimo de Vila (em Cimo de Vila).

  • Casa do Requeijo

  • Casa da Pena é um paço rural composto por uma capela e um portal armoreado. O solar original datará do séc. XVIII e foi mandada lavrar por Pedro António Vieira da Silva de Meireles, cavaleiro-fidalgo da Casa Real. A casa mudou entretanto de proprietários em 1983, pertencendo desde então a João Vieira.

Outros locais de interesse turístico

Cerca de metade do espelho de água da albufeira do Ermal está inserida nesta freguesia, havendo aqui condições excepcionais para implementar infra-estruturas de apoio à actividade turística. É aqui que se realizava o festival Vieira Rock que mobilizava anualmente dezenas de milhar de jovens. É aqui que a frescura da paisagem se alia à paz da montanha e a albufeira estende-se como manto azul no verde da vegetação, convidando-nos a gozar a limpidez das suas margens. 

Esta freguesia é composta pelos seguintes lugares:

Assento, Baralha, Codeceira, Figueiró, Gandra, Lages, Magos, Pena, Riolongo, Riolongo Poente Rissondo, S.Roque, Salgueiros, Salvador, Tabuadela, Talho e Testorio.

Festas e Romarias

Procissão dos Passos – Domingo de Ramos
Festa do Senhor – 1º Domingo de Julho
S. João Baptista – 24 de Junho